O novo miradouro: um inusitado encontro entre cegos

Primeiro vieram os olhos desejosos de ver do Miradouro, aqueles olhos nostálgicos que tingiam as vistas de sépia por não suportarem o mundo tal qual era. Depois, o Velho Miradouro – aguerrido, mas calejado – que veio cheio de si, na confiança de que “o olho produz”, mas que esbarrou naquilo que o motivara: um luto indisfarçável. Já se sabia que era preciso cantar a poesia do futuro, mas ainda estávamos atados à dor da morte materna. A melancolia não poderia cantar o futuro. Eis que o Novo Miradouro surge para rasgar o negrume enlutado desses protestos sem esperança. Eis a negação da negação do olhar: nem a vista, nem a miragem, pura e simplesmente a visão que se alcança a partir da plena cegueira. Dois cegos se encontram – um vindo do oriente, outro vindo de lado oposto – e, na cantoria compartilhada das andanças, compõem o cenário completo. Para ver melhor é preciso a falta d’olhos. No inusitado encontro, os cegos se emprestam olhos mutuamente e veem.

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