Pra quem vem, pra quem vai

Desce, acende o cigarro. Checa o celular. Traga. Guarda o celular no bolso. Olha pra uma molecada que às 11 da manhã tá na praça, cabulando aula, tomando vinho, tocando qualquer coisa no violão. Traga de novo. Sente saudade de quando a dúvida era perder ou não aquela prova de história. Mais um trago. Celular de novo na mão. No new messages.

Tenta lembrar um número. Não vem. Mais um trago. Cigarro pelo fim. Guarda o celular. Lembra de uma praia. Lembra de um lanche na praça. La, la, la, la, take me home. Lembra que o lar voltou a ser casa. Em construção. Sob nova direção.

Decide fumar outro cigarro. O que chamam de fluxo de pensamento – frio, calor, memória, cheiro – vem todo. Não para. Não lembra do perfume. Recorda o cheiro do asfalto. Da saída de ar do metrô no dia frio.

Traga o novo cigarro. Lembra que o estômago já não é de um garoto. Resiste. Tem que resistir. Tenta de novo. Desce errado. Que dia era mesmo? Sensação de estar esquecendo alguma coisa maior. Não foi você quem esqueceu a mala no aeroporto e embarcou. A mala embarcou e te deixou no aeroporto.

Põe as rodinhas na bike de novo. Volta pro mobral. Brand new life. Same old shoes. Lembra do teenage fanclub. A inocência te mandou um beijo e disse que não volta hoje.

Abre a porta e segue. Só não esquece do casaco que tá frio. E das contas que você tem de pagar. E que o sofá chega hoje.

Volta. A molecada ainda tá lá. O cigarro tá queimando o dedo. Olha o celular e escreve um convite pra jantar.

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