Em frente (ou qualquer que seja o rumo de hoje)

“No tengo todo calculado,
Ni mi vida resuelta
Solo tengo una sonrisa
Y espero una de vuelta”

Sem planilha e sem relógio. A vida era um eterno hoje. A próxima estação. O trem seguinte. A cama dessa manhã.

“Amanhã, meu caro, é longe demais”.

Um porto. Uma rocha. Um punhado de histórias e alguns sorrisos era o que ele carregava. Nada mais, nada menos. O que ele precisava pra conseguir seguir rumando. Entre o certo e duvidoso, a terceira via. Aquela que aparece na sua frente enquanto a maioria está distraída. “Olhando pro relógio ou pra planilha”, ele falava.

De uns tempos pra cá, não anda tão confiante. Tinha dificuldade em saber por onde andou. “A memória anda me pregando mais peças do que a vida inteira conseguiu”.

Pensou em começar um diário de bordo. Se não era pelo amanhã, que ele ao menos pudesse se lembrar do trajeto que ele continuaria a fazer. “Mas se eu parar pra contar, vou deixar de criar histórias novas”, ponderava.

Não empilhava amores. Não acumulava capital.

Mas cada linha nova do rosto, cada pequena cicatriz. Cada tatuagem e cada nova dor. Eram os sinais de que ele ainda estava vivo. Indo.

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